O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXII 730

Não se é obsidiado unicamente porque se é enganado por um Espírito mentiroso; o melhor médium a isso está exposto, sobretudo no início, quando lhe falta ainda a experiência necessária, do mesmo modo que, entre nós, as pessoas mais honestas podem ser vítimas de espertalhões. Pode-se, pois, estar enganado sem estar obsidiado; a obsessão está na tenacidade do Espírito do qual não se pode se desembaraçar.

Na obsessão simples, o médium sabe muito bem que tem de se haver com um Espírito enganador, e este não esconde isso; não dissimula de modo algum suas más intenções e seu desejo de contrariar. O médium reconhece sem  esforço a fraude, e como se mantém alerta, raramente se engana. Esse gênero de obsessão é, pois, simplesmente   desagradável,  e não tem outro inconveniente além do de opor um obstáculo às comunicações que se gostaria de ter com Espíritos sérios ou com os que se tem afeição.

Podem incluir-se nessa categoria os casos de obsessão física, quer dizer, a que consiste nas manifestações ruidosas e obstinadas de certos Espíritos que fazem ouvir espontaneamente pancadas ou outros ruídos. Quanto a este fenômeno, remetemos o leitor ao capítulo Manifestações físicas espontâneas. (Nº 82).

239. A fascinação tem conseqüências muito mais graves. É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium, e que paralisa de alguma forma seu julgamento com respeito às comunicações. O médium fascinado não crê ser enganado; o Espírito tem a arte de lhe inspirar uma confiança cega que lhe impede de ver a fraude e de compreender a absurdidade do que escreve, mesmo quando salta aos olhos de todo mundo; a ilusão pode mesmo ir até ao ponto de fazê-lo ver o sublime na linguagem mais ridícula. Estar-se-ia em erro se se cresse que esse gênero de obsessão não pode alcançar senão as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de julgamento; os homens mais espirituais, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, não estão dela isentos, o que prova que essa aberração é o efeito de uma causa estranha, da qual sofrem a influência.