O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIII 731

Dissemos que as conseqüências da fascinação são muito mais  graves;  com   efeito,    graças a essa ilusão que lhe é decorrência, o Espírito conduz aquele que veio a dominar  como  o faria a um cego, e pode lhe fazer aceitar as   mais bizarras doutrinas, as mais falsas teorias como sendo  a  única  expressão da verdade; bem mais, pode excitá-lo a diligências ridículas, comprometedoras e mesmo perigosas.

Compreende-se muito facilmente a diferença que existe  entre a obsessão simples e a fascinação; compreende-se também que os Espíritos que produzem esses dois   efeitos  devem   diferir  de  caráter. Na primeira, o Espírito  que  se  liga  a  vós não é senão um ser importuno pela   sua  tenacidade, e do qual se está impaciente para se desembaraçar.   Na   segunda,   é toda outra coisa; para chegar a tais fins é preciso um Espírito hábil, astuto e profundamente   hipócrita,  porque não pode enganar e se fazer  aceitar  senão  com  a ajuda de máscara que sabe tomar e de uma falsa aparência de virtude; as grandes palavras de caridade, humildade e amor a Deus são para ele como  credenciais,  mas, através de tudo isso deixa transparecer   sinais de inferioridade que é preciso estar fascinado  para   não   perceber;  também receia acima de tudo as pessoas que vêem claro; é por isso que sua tática, quase sempre,   é  a  de inspirar ao seu intérprete se distanciar  de  quem   quer   que  lhe   pudesse abrir os olhos; por esse meio, evitando toda contradição, está certo de ter sempre razão.

240. A subjugação é uma opressão que paralisa a vontade daquele   que  a  sofre,  e   o   faz   agir a seu malgrado. Numa palavra, a pessoa está sob um verdadeiro jugo.

A   subjugação  pode  ser  moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é solicitado a tomar decisões freqüentemente absurdas e comprometedoras que, por uma espécie  de  ilusão, crê sensatas: é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. Ela se traduz no médium escrevente por uma necessidade incessante de escrever, mesmo nos momentos mais inoportunos. Vimos os