O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIII 733

de e à veracidade das comunicações. A obsessão, em qualquer grau que esteja, sendo sempre o efeito de um constrangimento, e esse constrangimento não podendo jamais ser exercido por um bom Espírito, disso resulta que toda comunicação dada por um médium obsidiado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança. Se, algumas vezes, nela se acha algo de bom, é preciso tomá-lo e rejeitar tudo o que é simplesmente duvidoso.

243.   Reconhece-se   a obsessão pelos caracteres seguintes:

1º Persistência de um Espírito em se comunicar, bom grado ou malgrado, pela escrita, audição, tiptologia, etc., opondo-se a que outros Espíritos possam fazê-lo.

2º Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações que recebe.

3º Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem coisas falsas ou absurdas.

4º Confiança do médium nos elogios que lhe dão os Espíritos que se comunicam por ele.

5º Disposição para se afastar das pessoas que podem dar úteis avisos.

6º Levar a mal a crítica a respeito das comunicações que recebe.

7º Necessidade incessante e inoportuna de escrever.

8º Qualquer constrangimento físico dominando a vontade e forçando a agir ou falar a seu malgrado.

9º Ruídos e desordens persistentes, ao redor de si, e dos quais é a causa ou o objeto.

244. Em presença do perigo da obsessão, ocorre perguntar se não é uma coisa deplorável ser médium; não é essa faculdade que a provoca; numa palavra, não está aí uma prova do inconveniente das comunicações espíritas? Nossa resposta é fácil e rogamos meditá-la com atenção.