O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIII 735

que os faz atuarem. Se é bastante cego para não compreendê-lo, outros podem lhe abrir os olhos.

Em resumo, o perigo não está no Espiritismo em si mesmo,  uma   vez que pode, ao contrário, servir de controle e  preservar do perigo que corremos, sem cessar, com o nosso desconhecimento; está na orgulhosa propensão de certos  médiuns em se crerem, levianamente, os instrumentos   exclusivos   dos  Espíritos superiores, e na espécie de fascinação que não lhes permite compreenderem as tolices das quais são intérpretes. Mesmo os que não são médiuns podem aí se deixar apanhar. Citemos uma comparação. Um homem tem um inimigo secreto que não conhece e que difunde   contra  ele, ocultamente, a calúnia e tudo o que a mais   negra maldade pode inventar; ele vê sua fortuna perder-se, seus amigos se afastarem, sua felicidade interior perturbar-se;   não   pode  se  defender e sucumbe; mas um dia   esse inimigo secreto lhe escreve e, malgrado sua astúcia, se trai. Eis, pois, seu inimigo descoberto, e pode confundi-lo   e   se revelar. Tal é o papel dos maus Espíritos que   o Espiritismo nos dá a possibilidade de conhecer e frustrar.

245. Os motivos da obsessão variam segundo o caráter dos Espíritos: algumas vezes é uma vingança que exerce sobre um indivíduo do qual tem algo a se queixar durante esta vida ou em uma outra existência; freqüentemente,   também,   não há outra razão do que o desejo de fazer o mal; como sofre, quer fazer sofrer aos outros; encontra   uma   espécie  de  gozo em atormentá-los, em vexá-los: além disso, a impaciência que se demonstra o excita,   porque   tal   é o seu objetivo, ao passo que desiste pela paciência;  em se   irritando,   mostrando despeito, se faz precisamente  o  que  ele quer. Esses Espíritos por vezes, atuam com   ódio   e por inveja do bem; é por isso que  lançam suas vistas  malfazejas sobre as mais honestas pessoas. Um deles se agarrou como uma sarna a uma honorável família do nosso conhecimento, que não tem, de resto, a satisfação de tomar por vítima; interrogado sobre o motivo pelo qual tinha atacado as pessoas honradas, antes que a homens maus como ele, respondeu: Estes  não me fazem inveja. Outros são guiados por um sentimento de covardia que os levam a aproveitar-