O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIII 740

251. A subjugação corporal, freqüentemente, rouba do obsidiado a energia necessária para dominar os maus Espíritos e, por isso, é necessária a intervenção de uma terceira pessoa, agindo seja pelo magnetismo, seja pela imposição da   sua   vontade. Na falta do   concurso   do   obsidiado, essa   pessoa  deve tomar  ascendência   sobre o Espírito; mas como  essa  ascendência   não  pode ser senão moral, não é dado senão   a   um   ser moralmente superior ao Espírito o exercê-la, e seu poder será tanto maior quanto seja maior a sua superioridade moral, porque se impõe ao Espírito que fica forçado a se inclinar diante dele; foi por isso que Jesus tinha um tão grande poder para afastar o que chamava,  então,  os  demônios,  quer   dizer, os maus Espíritos obsessores.

Não   podemos   dar  aqui senão conselhos gerais, porque não há nenhum procedimento material, sobretudo nenhuma  fórmula,  nenhuma palavra sacramental que tenha o   poder  de  afastar  os Espíritos obsessores. O que, algumas vezes, falta ao obsidiado é uma força fluídica suficiente; nesse caso, a ação magnética de um bom magnetizador pode lhe vir, utilmente em ajuda. De resto, é sempre bom tomar, por um médium seguro, os conselhos de um Espírito superior ou de seu anjo guardião.

252. As imperfeições morais do obsidiado, freqüentemente, são um obstáculo à sua liberação. Eis um exemplo notável que pode servir à instrução de todos.

Várias irmãs, desde   um  certo   número de anos, foram vítimas de depredações muito desagradáveis. Seus vestidos  eram,  sem  cessar,   dispersados em todos os cantos   da   casa,  e   até   sobre  os telhados, cortados, rasgados, e cheios de buracos,   por mais cuidado que tomassem em guardá-los sob chave. Essas senhoras, relegadas a   uma  pequena localidade da província, jamais tinham   ouvido falar  do  Espiritismo. Seu primeiro pensamento, naturalmente, foi o de crer que eram alvo de maus gracejadores, mas essa persistência e as precauções que tomavam   lhes   afastou   essa   idéia. Não foi senão depois de   longo   tempo,   por  alguma   indicação,   que creram dever se   dirigir   a nós para conhecer a causa desses estragos e os meios de os remediar, se fora possível. A causa