O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIII 744

5. Não se pode combater a influência dos maus Espíritos moralizando-os?

Sim, é o que não se faz, e o que não é preciso negligenciar em fazê-lo; porque, freqüentemente, é uma tarefa que vos é dada, e que deveis cumprir caridosa e religiosamente. Pelos sábios conselhos pode-se induzi-los ao arrependimento e apressar-lhes o adiantamento.

Como um homem pode ter quanto a esse assunto mais influência do que têm os próprios Espíritos?

Os  Espíritos   perversos   se aproximam antes dos homens que procuram atormentar do que dos Espíritos dos quais se afastam o mais possível. Nessa aproximação com os humanos, quando encontram os que os moralizam, no início não os escutam e se riem; depois, se aquele sabe prendê-los, acabam por se deixar tocar. Os Espíritos elevados  não podem lhes falar senão em nome de Deus, e isso os assusta. O homem, certamente, não tem mais poder do que os Espíritos superiores, mas sua linguagem se identifica  melhor   com  a sua natureza, e, vendo o ascendente  que  pode   exercer sobre   os  Espíritos inferiores, compreende  melhor  a solidariedade que existe entre o céu e a terra.

De resto, o ascendente que o homem pode exercer sobre os Espíritos está em razão da sua superioridade moral. Não domina os Espíritos superiores, nem mesmo aqueles que, sem serem superiores, são bons e benevolentes, mas pode dominar os Espíritos que lhe são inferiores em moralidade. (Ver nº 279.)

6. A subjugação corporal, levada a certo grau, poderia ter por conseqüência a loucura?

Sim, uma espécie de loucura cuja causa é desconhecida do mundo, mas que não tem relação com a loucura comum. Entre aqueles que são tratados por loucos há muitos que não são senão subjugados; ser-lhes-ia necessário um tratamento moral, ao passo que são tratados como loucos verdadeiros com os tratamentos corporais. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão  mais  doentes  do  que  com  as duchas. (nº 221.)