O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIV 752

O Espírito que se manifesta é bom ou mau? A que grau da escala espírita pertence? Aí está a questão capital. (Ver Escala Espírita, O Livro dos Espíritos, nº 100).

263. Julgam-se os Espíritos, nós o dissemos, como se julgam os homens, pela sua linguagem. Suponhamos que um homem receba vinte cartas de pessoas que lhe são desconhecidas; pelo estilo, pelos pensamentos, enfim, por uma porção de sinais, julgará as que são instruídas ou ignorantes, polidas ou mal-educadas, superficiais, profundas, frívolas, orgulhosas, sérias, levianas, sentimentais, etc. Ocorre o mesmo com os Espíritos; deve-se considerá-los como correspondentes que jamais foram vistos, e se perguntar o que pensaria do saber, do caráter de um homem que dissesse ou escrevesse semelhantes coisas. Pode-se colocar como regra invariável, e sem exceção, que a linguagem dos Espíritos está sempre em razão do seu grau de elevação. Os Espíritos realmente superiores não apenas dizem boas coisas, mas o dizem em termos que excluem, da maneira mais absoluta, toda trivialidade; por boas que sejam essas coisas, se estão manchadas por uma só expressão que cheire à baixeza, é um sinal indubitável de inferioridade, com mais forte razão se o conjunto da comunicação fere as conveniências pela sua grosseria. A linguagem revela sempre sua origem, seja pelo pensamento que traduz, seja por sua forma e, então, mesmo que um Espírito quisesse nos enganar sobre sua pretensa superioridade, bastaria conversar algum tempo com ele para apreciá-lo.

264. A bondade e a benevolência são ainda atributos essenciais dos Espíritos depurados; não têm ódio nem pelos homens, nem pelos outros Espíritos; lamentam as fraquezas, criticam os erros, mas sempre com moderação, sem rancor e sem animosidade. Se se admite que os Espíritos verdadeiramente bons não podem querer senão o bem e não dizer senão boas coisas, concluir-se-á que tudo o que, na linguagem dos Espíritos, revele uma falta de bondade e de benevolência, não pode emanar de um bom Espírito.

265. A inteligência está longe de ser um sinal certo de superioridade, porque a inteligência e a moral não ca-