O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXV 768

um laço entre ele e nós: chamamo-lo por nosso desejo, e opomos, assim, uma espécie de barreira aos intrusos. Sem uma evocação direta, com freqüência, um Espírito não teria nenhum motivo para vir até nós, se não for nosso Espírito familiar.

Essas duas maneiras de operar têm cada uma suas vantagens, e o inconveniente não estaria senão na exclusão absoluta de uma das duas. As comunicações espontâneas não têm nenhum inconveniente quando se está senhor dos Espíritos, e se está certo de os maus não tomarem nenhum império; então, freqüentemente, é útil esperar a boa vontade daqueles que querem se manifestar, porque seu pensamento não sofre nenhum constrangimento, e se podem obter, des-sa maneira, coisas admiráveis; ao passo que não se pode dizer que o Espírito que chamais esteja disposto a falar, ou capaz de fazê-lo no sentido que se deseja. O exame escrupuloso que aconselhamos é, aliás, uma garantia contra as más comunicações. Nas reuniões regulares, sobretudo naquelas em que se ocupa de um trabalho continuado, há sempre Espíritos habituais que se encontram na reunião sem que sejam chamados, e que, em razão da regulari-dade das sessões, estão prevenidos: freqüentemente, to-mam espontaneamente a palavra para tratarem de um assunto qualquer, desenvolver uma proposição ou pres-crever o que se deve fazer, e então são reconhecidos fa-cilmente, seja pela forma da sua linguagem que é sempre idêntica, seja pela sua escrita, seja por certos hábitos que lhe são familiares.

270. Quando se deseja comunicar com um Espírito determinado, necessariamente, é preciso evocá-lo. (Nº 203) Se pode vir, obtém-se, geralmente, por respostas: Sim; ou Estou aqui; ou ainda: Que quereis de mim? Algumas vezes entra diretamente no assunto respondendo, por antecipação, às perguntas que se propõem dirigir-lhe.

Quando um Espírito é evocado pela primeira vez, convém designá-lo com alguma precisão. Nas perguntas que lhe são dirigidas, é preciso evitar as formas secas e im-perativas, que lhe seriam um motivo de afastamento. Es-sas formas devem ser afetuosas ou respeitosas segundo o

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