O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXV 774

Por todos esses motivos, quando se deseja chamar um Espírito novo, é necessário perguntar ao seu guia protetor se a evocação é possível; no caso em que ela não o seja, geralmente dá os motivos e, então, será inútil insistir.

278. Uma importante questão se apresenta aqui e é a de saber se há, ou não, inconveniente em evocar maus Espíritos. Isso depende do objetivo proposto e do ascendente que se pode ter sobre eles. O inconveniente é nulo, quando são chamados com um fim sério, instrutivo e com vista a melhorá-los; é muito grande, ao contrário, se for pura curiosidade ou diversão, ou se se coloca sob sua dependência pedindo-lhes um serviço qualquer. Os bons Espíritos, nesse caso, podem muito bem lhes dar o poder de fazer o que se lhes pede, com vista a punirem severamente, mais tarde, o temerário que teria ousado invocar sua ajuda e julgá-los mais poderosos do que Deus. Em vão se prometeria disso fazer um bom uso em continuação, e de despedir o servidor uma vez feito o serviço; o próprio serviço que se lhe solicitou, por mínimo que seja, é um verdadeiro pacto firmado com o mau Espírito, e este não deixa a presa facilmente. (Ver nº 212.)

279. A ascendência não se exerce sobre os Espíritos inferiores senão pela superioridade moral. Os Espíritos perversos sentem seus senhores nos homens de bem; ante os que não lhes opõem senão a energia da vontade, espécie de força bruta, eles lutam e, freqüentemente, são os mais fortes. Qualquer um que procurasse, assim, dominar um Espírito rebelde, por sua vontade, o Espírito lhe responderia: Deixa-me, pois, tranqüilo com teus ares de fanfarrão, tu que não vales mais do que eu; que se diria de um ladrão que prega moral a um ladrão?

Admira-se que o nome de Deus, que se invoca contra ele, seja, freqüentemente, impotente; São Luís deu a razão disso na resposta seguinte:

"O nome de Deus  não tem influência sobre os Espíritos imperfeitos senão na boca daquele que pode dele