O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO I - CAPÍTULO I - DEUS 78

Para crer em Deus basta lançar os olhos sobre as obras da criação. O Universo existe; ele tem, pois, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e adiantar que o nada pôde fazer alguma coisa.

5 - Que conseqüência se pode tirar do sentimento intuitivo que todos os homens carregam em si mesmos da existência de Deus?

- Que Deus existe; porque de onde lhe viria esse sentimento se ele não repousasse sobre nada? É ainda uma conseqüência do princípio de que não há efeito sem causa.

6 - O sentimento íntimo, que temos em nós mesmos, da existência de Deus, não seria o fato da educação e o produto de idéias adquiridas?

- Se assim fosse, por que os vossos selvagens teriam esse sentimento?

Se o sentimento da existência de um ser supremo não fosse senão o produto de um ensinamento, ele não seria universal, e não existiria, como as noções de ciência, senão naqueles que teriam podido receber esse ensinamento.

7 - Poder-se-ia encontrar a causa primeira da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria?

- Mas então qual seria a causa dessas propriedades? É preciso sempre uma causa primeira.

Atribuir a formação primeira das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porque essas propriedades são elas mesmas um efeito que deve ter uma causa.

8 - Que pensar da opinião que atribui a formação primeira a uma combinação fortuita da matéria, isto é, ao acaso?

- Outro absurdo! Que homem de bom senso pode olhar o acaso como um ser inteligente? Aliás, que é o acaso? Nada.

A harmonia que regula as atividades do Universo revela combinações e fins determinados e, por isso mesmo, revela a força inteligente. Atribuir a formação primeira ao acaso seria um contra-senso, porque o acaso é cego e não pode produzir os efeitos da inteligência. Um acaso inteligente não seria mais o acaso.

9 - Onde se vê, na causa primeira, uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?