O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVI 813

dos segredos de Deus; mas saberão tirar da obscuridade o homem capaz de secundar seus desígnios. Não vos deixeis, pois, arrastar pela curiosidade ou ambição em um caminho que não é o do Espiritismo e que resultaria para vós nas mais ridículas mistificações.

Nota. O conhecimento mais esclarecido do Espiritismo acalmou a febre das descobertas que, no princípio, muitos pretendiam fazer por esse meio. Chegaram até a pedir aos Espíritos receitas para tingir e fazer crescer os cabelos, curar os calos dos pés, etc. Vimos as pessoas que acreditaram fazer fortuna, e não recolheram senão procedimentos mais ou menos ridículos. Ocorre o mesmo quando se quer, com a ajuda dos Espíritos, penetrar os mistérios da origem das coisas; certos Espíritos têm, sobre essas matérias, seus sistemas que, freqüentemente, não valem mais do que os dos homens e que é prudente não acolher senão com a maior reserva.

295. Perguntas sobre os tesouros ocultos

30. Os Espíritos podem fazer descobrir os tesouros ocultos?

Os Espíritos superiores não se ocupam dessas coisas; mas os Espíritos zombeteiros, freqüentemente, indicam tesouros que não existem, ou podem indicar um num lugar, ao passo que está num oposto; e isso tem a sua utilidade para mostrar que a verdadeira fortuna está no trabalho. Se a Providência destina riquezas ocultas para alguém, encontrá-las-á naturalmente; de outro modo não.

31. Que pensar da crença nos Espíritos guardiães de tesouros escondidos?

Os Espíritos, que não estão desmaterializados, apegam-se às coisas. Os avaros, que ocultaram seus tesouros, podem ainda os vigiar e os guardar depois da sua morte, e a perplexidade em que estão de os ver arrebatar é um de seus castigos até que lhe compreendam a inutilidade para eles. Há também os Espíritos da Terra, encarregados de dirigir-lhes as transformações interiores, e dos quais, por alegoria, se fizeram os guardiães das riquezas naturais.