O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVI 814

Nota. A questão dos tesouros ocultos está na mesma categoria das heranças desconhecidas; bem louco seria aquele que levasse em conta as pretendidas revelações que podem lhe ser feitas pelos brincalhões do mundo invisível. Dissemos que quando os Espíritos querem ou não podem fazer semelhantes revelações, o fazem espontaneamente, e não têm necessidade de médiuns para isso. Eis um exemplo:

Uma dama vinha de perder seu marido depois de trinta anos de convivência, e se encontrava a ponto de ser expulsa de seu domicílio, sem nenhum recurso, por seus enteados, para os quais havia tido lugar de mãe. Seu desespero estava no auge, quando uma tarde seu marido lhe aparece e lhe pede para segui-lo até seu escritório; ali lhe mostra sua escrivaninha que estava ainda selada e, por um efeito de segunda vista, lhe fez ver seu interior; indicou-lhe uma gaveta com segredo que ela não conhecia e da qual lhe explicou o mecanismo; e acrescentou: Eu previ o que aconteceu e quis assegurar a tua sorte; nessa gaveta estão minhas últimas disposições, e vos cedo o gozo desta casa e uma renda de ...; depois desapareceu. No dia do levantamento dos selos, ninguém pôde abrir a gaveta; a dama, então, conta o que lhe sucedeu. Abre-a segundo as indicações do seu marido, e nela se encontra o testamento conforme o que lhe havia sido anunciado.

296. Perguntas sobre os outros mundos

32. Qual o grau de confiança que se pode ter nas descrições que os Espíritos fazem dos diferentes mundos?

Isso depende do grau de adiantamento real dos Espíritos que dão essas descrições; porque compreendeis que os Espíritos vulgares são tão incapazes de vos informar a esse respeito, como um ignorante entre vós em vos descrever todos os países da Terra. Endereçais, freqüentemente, sobre esses mundo, questões científicas que esses Espíritos não podem resolver; se são de boa-fé, falam deles segundo seus idéias pessoais; se são Espíritos levianos, divertem-se dando-vos descrições bizarras e fantásticas; tanto mais que esses Espíritos, que não são mais desprovidos de imaginação na erraticidade do que na Terra, colhem nessa faculdade a narrativa de muitas coisas que não têm nada de real. Entretanto, não creiais na impossibilidade absoluta de terdes, sobre esses mundos, alguns esclarecimentos; os bons Espíritos se comprazem mesmo em vos descrever