O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVII 817

quanto aos princípios gerais, se não pode sê-lo em alguns princípios insignificantes.

299. Para compreender a causa e o valor das contradições de origem espírita, é preciso estar identificado com a natureza do mundo invisível, e tê-lo estudado sob todas as suas faces. À primeira vista, pode parecer espantoso que os Espíritos não pensem da mesma forma, mas isso não pode surpreender a quem se inteirou do número infinito de graus que devem percorrer antes de atingirem o alto da escala. Supondo-lhes uma igual apreciação das coisas, seria supô-los todos no mesmo nível; pensar que devem todos ver o que é justo, seria admitir que todos chegaram à perfeição, o que não ocorre, e o que não pode ser, se se considera que não são outra coisa senão a Humanidade despojada do envoltório corporal. Os Espíritos de todas as classes podem se manifestar, e disso resulta que suas comunicações levam a marca da sua ignorância ou do seu saber, de sua inferioridade ou de sua superioridade moral. A distinguir o verdadeiro do falso, o bom do mau, devem conduzir as instruções que demos.

É preciso não esquecer que, entre os Espíritos, como entre os homens, há falsos sábios e semi-sábios, orgulhosos, presunçosos e sistemáticos. Como não é dado, senão aos Espíritos perfeitos, tudo conhecer, há para os outros, como para nós, mistérios que explicam à sua maneira, segundo suas idéias, e sobre as quais podem dar opiniões mais ou menos justas que, por amor-próprio, fazem prevalecer, e que gostam de reproduzir em suas comunicações. O erro é de alguns de seus intérpretes terem esposado, muito levianamente, opiniões contrárias ao bom-senso, e delas se terem feito os editores responsáveis. Assim, as contradições de origem espírita não têm outra causa senão a diversidade na inteligência, os conhecimentos, o julgamento e a moralidade de certos Espíritos que ainda não estão aptos para tudo conhecerem e tudo compreenderem. (Ver O Livro dos Espíritos, Introdução, § XIII; Conclusão, § IX.)