O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVII 822

carnação para eles é uma necessidade, que nem sonham que poderá chegar; sabem que o Espírito progride, mas de que maneira, isso é para eles um problema. Então se vós lhes perguntardes, falarão dos sete céus superpostos como andares; há mesmo os que vos falarão da esfera do fogo, da esfera das estrelas, em seguida, da cidade das flores, da dos eleitos.

9. Concebemos que os Espíritos pouco avançados possam não compreender essa questão; mas, então, como ocorre que Espíritos de uma inferioridade moral e intelectual notória falem espontaneamente de suas diferentes existências e de seu desejo de reencarnar para resgatar seu passado?

Passam-se, no mundo dos Espíritos, coisas que vos são bem difíceis de compreender. Não tendes, entre vós, pessoas muito ignorantes sobre certas coisas e que são esclarecidas sobre outras? Pessoas que têm mais juízo do que instrução e outras que têm mais espírito que juízo? Não sabeis também que certos Espíritos se comprazem em manter os homens na ignorância, aparentando instruí-los, e que se aproveitam da facilidade com a qual acreditam em suas palavras? Podem seduzir os que não vão ao fundo das coisas, mas quando são levados a perderem a paciência pelo raciocínio, não sustentam por muito tempo seu papel.

Por outro lado, é preciso ter em conta a prudência que, em geral, os Espíritos observam na promulgação da verdade: uma luz muito viva e muito súbita deslumbra e não esclarece. Podem, pois, julgar útil não a difundir senão gradualmente, de acordo com os tempos, os lugares e as pessoas. Moisés não ensinou tudo o que o Cristo ensinou, e o próprio Cristo disse muitas coisas cuja compreensão estava reservada às gerações futuras. Falais da reencarnação e vos admirais de que esse princípio não foi ensinado em certos países; mas considerai que em um país onde o preconceito de cor reine soberanamente, onde a escravidão está arraigada nos costumes, ter-se-ia repelido o Espiritismo tão-só porque tivesse proclamado a reencar-