O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVIII 830

308. A faculdade medianímica, mesmo restrita nos limites das manifestações físicas, não foi dada para ostentá-la sobre os palcos, e alguém que pretenda ter às suas ordens os Espíritos para exibi-los em público, pode com razão ser suspeito de charlatanismo ou de prestidigitação mais ou menos hábil. Que assim se considere todas as vezes que se vejam anúncios de pretensas sessões de Espiritismo ou de Espiritualismo a tanto por lugar, e que se lembre do direito que se compra ao entrar.

De tudo o que precede, concluímos que o desinteresse é a mais absoluta e a melhor garantia contra o charlatanismo; se não assegura sempre a boa qualidade das comunicações inteligentes, retira aos maus um poderoso meio de ação, e fecha a boca de certos detratores.

309. Restaria o que se poderia chamar de charlatanismo amador, quer dizer, fraudes inocentes de algum gracejador de mau-gosto. Poder-se-ia, sem dúvida, praticá-la à conta de passatempo, nas reuniões levianas e frívolas, mas não em assembléias sérias, onde não se admitem senão pessoas sérias. Pode-se bem, aliás, dar-se ao prazer de uma mistificação momentânea; mas seria preciso estar dotado de uma singular paciência para desempenhar esse papel durante meses e anos, e cada vez durante várias horas consecutivas. Somente um interesse qualquer pode dar essa perseverança, e o interesse, repetimos, pode a tudo tornar suspeito.

310. Dir-se-á, talvez, que um médium que dá seu tempo ao público no interesse da coisa, não pode dá-lo por nada, uma vez que precisa viver. Mas, é no interesse da coisa ou no seu que o dá? Não é antes porque nisso entrevê um ofício lucrativo? Encontrar-se-ão sempre pessoas dedicadas, a esse preço. Não tem, pois, senão essa indústria à sua disposição? Não nos esqueçamos de que os Espíritos, qualquer que seja a sua superioridade ou a sua inferioridade, são as almas dos mortos, e quando a moral e a religião preceituam um dever o respeito aos seus restos, a obrigação de respeitar seu Espírito é ainda maior.

Que se diria daquele que retirasse um corpo do tú-