O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVIII 832

si mesmos, porque estão livres para disporem de sua pessoa como entenderem, ao passo que os médiuns especuladores exploram as almas dos mortos. (Ver nº 172, Médiuns sonâmbulos.)

313. Não ignoramos que a nossa severidade com respeito aos médiuns interesseiros, amotina contra nós todos os que exploram, ou estão tentados a explorarem essa nova indústria, e com isso fazemos inimigos encarniçados, assim como seus amigos que, naturalmente, tomam seu partido; consolamo-nos pensando que os mercadores do templo, expulsos por Jesus, também não o viam com bons olhos. Temos também contra nós as pessoas que não encaram a coisa com a mesma gravidade; entretanto, nos cremos no direito de termos uma opinião e de emiti-la; não forçamos ninguém a adotá-la. Se uma imensa maioria adere, é que aparentemente a acha justa; porque não vemos, com efeito, como se poderia provar que não há mais chances de achar a fraude e o abuso na especulação, do que no desinteresse. Quanto a nós, se nossos escritos contribuíram para lançar, em França e em outros países, o descrédito sobre a mediunidade interesseira, cremos que isso não será um dos menores serviços que terão prestado ao Espiritismo sério.

FRAUDES ESPÍRITAS

314. Os que não admitem a realidade das manifestações físicas, geralmente, atribuem à fraude os efeitos produzidos. Fundam-se sobre o que os prestidigitadores hábeis fazem das coisas, que parecem prodigiosas quando não se conhecem seus segredos; de onde concluem que os médiuns não são senão escamoteadores. Já refutamos esse argumento, ou antes essa opinião, notadamente nos artigos sobre o Sr. Home e nos números da Revista de janeiro e fevereiro de 1858; não diremos, pois, a respeito, senão algumas palavras, antes de falarmos de uma coisa mais séria.

De resto, é uma consideração que não escapará a quem reflita um pouco. Sem dúvida, há prestidigitadores de uma habilidade prodigiosa, mas são raros. Se todos os médiuns praticassem a escamoteação, seria preciso convir