O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVIII 834

Um homem de letras, bastante conhecido, veio um dia nos ver e nos disse que era muito bom médium escrevente intuitivo, e que se colocava à nossa disposição na Sociedade Espírita. Como temos por hábito não admitir na Sociedade senão médiuns cujas faculdades conhecemos, nós lhe rogamos o favor de vir, antes, dar provas em uma reunião particular. A isso submeteu-se, com efeito; vários médiuns experimentados deram, sejam dissertações,sejam respostas de uma notável precisão sobre as questões propostas e de assuntos desconhecidos para eles. Quando chegou a vez desse senhor, escreveu algumas palavras insignificantes, disse que estava mal-disposto nesse dia, e depois não o vimos mais; achou, sem dúvida, que o papel de médium de efeitos inteligentes era mais difícil de desempenhar do que havia acreditado.

316. Em todas as coisas, as pessoas que se enganam com mais facilidade são as que não são do ofício; ocorre o mesmo com o Espiritismo; os que não o conhecem são facilmente iludidos pelas aparências; ao passo que um estudo prévio e atento os inicia, não somente quanto às causas dos fenômenos, mas quanto às condições normais nas quais podem se produzir, e lhes fornece, assim, os meios para reconhecerem a fraude, se ela existe.

317. Os médiuns enganadores são censurados, como o merecem, na carta seguinte que reproduzimos na Revista do mês de agosto de 1861.

Paris, 21 de julho de 1861.

"Senhor.

"Pode-se estar em desacordo em certos pontos e estar em perfeito acordo sobre outros. Acabo de ler, às páginas 213 do último número do vosso jornal, reflexões sobre a fraude em matéria de experiências espirituais (ou espíritas) às quais sou feliz em me associar com todas as minhas forças. Ali, toda dissidência em matéria de teorias e de doutrinas desaparece como por encanto.

"Talvez não seja tão severo como vós com respeito aos médiuns que, sob uma forma digna e conveniente, acei-