O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXVIII 838

te para a independência das idéias, mas também contra as fraudes; é por essa razão que certas pessoas preferem os intermediários materiais. Pois bem! é um erro. A fraude se insinua por toda parte, e sabemos que, com habilidade, se pode dirigir à vontade mesmo uma cestinha ou uma prancheta, que escreve, e dar-lhe todas as aparências de movimentos espontâneos. O que tira todas as dúvidas são os pensamentos exprimidos, quer venham de um médium mecânico, intuitivo, falante ou vidente. Há comunicações que estão de tal forma fora das idéias, dos conhecimentos e mesmo da capacidade intelectual do médium, que seria preciso iludir-se para atribuí-las a ele. Reconhecemos no charlatanismo uma grande habilidade e fecundos recursos, mas não lhe conhecemos ainda o dom de dar o saber a um ignorante, ou do espírito àquele que não o tem.

Em resumo, repetimos, a melhor garantia está na moralidade notória dos médiuns e na ausência de todas as causas de interesse material ou de amor-próprio, que poderiam estimular nele o exercício das faculdades medianímicas que possui; porque essas mesmas causas podem animá-lo a simular as que não tem.