O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIX 851

e outras poderão tirar o que lhe for aplicável, ou o que creiam útil, do regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que damos mais adiante.

340. As sociedades pequenas ou grandes e todas as reuniões, qualquer que seja a sua importância, têm que lutar contra um outro escolho. Os promotores de perturbações não estão apenas no seu seio, mas estão igualmente no mundo invisível. Do mesmo modo que há Espíritos protetores para as sociedades, as cidades e os povos, os Espíritos malfazejos se ligam aos grupos como aos indivíduos; atacam primeiro os mais fracos, os mais acessíveis, dos quais procuram fazer instrumentos, e pouco a pouco tratam de cercar as massas; porque seu júbilo mau está em razão do número daqueles que têm sob seu jugo. Todas as vezes, pois, que num grupo uma pessoa caia na armadilha, é preciso se dizer que há um inimigo no campo, um lobo no redil, e que se deve estar em guarda, porque é mais do que provável que multiplicará suas tentativas; se ele não é desencorajado por uma resistência enérgica, a obsessão vem então como um mal contagioso, que se manifesta nos médiuns pela perturbação da mediunidade, e nos outros pela hostilidade de sentimentos, a perversão do senso moral e a perturbação da harmonia. Como o mais poderoso antídoto desse veneno é a caridade, é a caridade que procuram sufocar. Não é preciso, pois, esperar que o mal se torne incurável para dar-lhe remédio; não é necessário mesmo esperar os primeiros sintomas, sobretudo, é preciso dedicar-se em preveni-lo; para isso há dois meios eficazes, se forem bem empregados: a prece de coração e o estudo atento dos menores sinais que revelem a presença de Espíritos enganadores; o primeiro atrai os bons Espíritos, que não assistem com zelo senão aqueles que os secundam por sua confiança em Deus; o outro prova aos maus, que estão tratando com pessoas bastante clarividentes e bastante sensatas para não se deixarem enganar. Se um dos membros sofre a influência da obsessão, todos os esforços devem tender, desde os primeiros indícios, a lhe abrir os olhos, temendo que o mal se agrave, a fim de conduzi-lo à convicção de que