O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXIX 856

píritas, mas não são o elemento indispensável, e haveria erro em crer que, com a sua falta, nelas nada haveria a fazer. Sem dúvida, aqueles que não se reunissem senão com um objetivo de experimentação, não poderiam fazer mais sem médiuns do que os músicos em um concerto sem instrumentos; mas os que têm em vista o estudo sério, têm mil motivos de ocupação tão úteis e proveitosos como se pudessem operar por si mesmos. Aliás, as reuniões que têm médiuns podem, acidentalmente, encontrarem-se sem eles e seria deplorável que cressem, nesse caso, nada mais ter a fazer do que retirar-se. Os próprios Espíritos podem, de tempos em tempos, colocá-los nessa posição, a fim de lhes ensinar a passar sem eles. Diremos mais: que é necessário, para aproveitar seus ensinamentos, consagrar um certo tempo para meditá-los. As sociedades científicas não têm sempre os instrumentos de observação sob os olhos e, todavia, não têm dificuldades em encontrarem assuntos de discussão; na ausência de poetas e oradores, as sociedades literárias lêem e comentam as obras de autores antigos e modernos; as sociedades religiosas meditam sobre as Escrituras; as sociedades espíritas devem fazer o mesmo, e tirarão um grande proveito para seu adiantamento, estabelecendo conferências nas quais se lerá e comentará tudo que se referir ao Espiritismo, pró ou contra. Dessa discussão, onde cada um dá o tributo de suas reflexões, cintilam traços de luz que passam desapercebidos numa leitura individual. Ao lado das obras especiais, os jornais fornecem fatos, relatos, eventos, sinais de virtudes ou de vícios que sobressaem de graves problemas morais, que só o Espiritismo pode resolver, e está ainda aí um meio de se provar que ele se liga a todos os ramos da ordem social. Colocamos em causa que uma sociedade espírita que organizasse seu trabalho nesse sentido, procurando os materiais necessários, não encontraria bastante tempo para dar às comunicações diretas dos Espíritos; por isso pedimos, sobre esse ponto, a atenção das reuniões verdadeiramente sérias, as que têm mais ânimo para se instruírem do que para procurarem um passatempo. (Ver nº 207, capítulo da Formação dos médiuns.)