O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXXI 877

do; os profetas eram médiuns; os mistérios de Elêusis estavam fundados sobre a mediunidade; os Caldeus, os Assírios, tinham médiuns; Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios da sua filosofia; ele ouvia a sua voz. Todos os povos tiveram médiuns, e as inspirações de Joana D’Arc não eram outras senão a voz de Espíritos benfazejos que a dirigiam. Esse dom que se derrama agora, tornou-se mais raro nos séculos medievais, mas não cessou jamais. Swedenborg e seus adeptos tiveram uma numerosa escola. A França dos últimos séculos, zombadora e ocupada com uma filosofia que, querendo destruir os abusos da intolerância religiosa, aniquilava sob o ridículo tudo o que era ideal, a França deveria afastar o Espiritismo, que não cessava de progredir no Norte. Deus tinha permitido essa luta de idéias positivas contra as idéias espiritualistas, porque o fanatismo tinha se tornado uma arma destas últimas; agora que os progressos da indústria e das ciências desenvolveram a arte de bem viver, a tal ponto que as tendências materiais se tornaram dominantes, Deus quer que o Espíritos sejam conduzidos aos interesses da alma; quer que o aperfeiçoamento do homem moral torne-se no que deve ser, quer dizer, o fim e o objetivo da vida. O Espírito humano segue uma marcha necessária, imagem da gradação sofrida por todos os que povoam o Universo visível e invisível; todo progresso chega na sua hora: a da elevação moral chegou para a Humanidade; ela não terá ainda o seu cumprimento em vossos dias; mas agradecei ao Senhor por assistirdes à aurora bendita.

Pierre Jouty (pai do médium).

XII

Deus encarregou-me de uma missão a cumprir entre os crentes que favoreceu com o mediunato. Quanto mais recebem graças do Mais Alto, mais correm perigo, e esses perigos são tanto maiores porque têm origem nos próprios favores que Deus lhes concede. As faculdades, das quais os médiuns gozam, lhes atraem elogios dos