O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXXI 879

Deus quer vos conceder. Tende fé na mansuetude do vosso Mestre; tende a caridade sempre em prática; não deixeis jamais de exercer essa sublime virtude, assim como a tolerância. Que sempre vossasações estejam em harmonia com a vossa consciência, é um meio certo de centuplicar vossa felicidade nessa vida passageira, e de vos preparar uma existência mil vezes mais doce ainda.

Que o médium, entre vós, que não sinta força para perseverar no ensinamento espírita, se abstenha; porque não aproveitando a luz que o ilumina, será menos escusável do que um outro, e deverá expiar a sua cegueira.

Pascal.

XIV

Falar-vos-ei hoje do desinteresse que deve ser uma das qualidades essenciais dos médiuns, tanto como a modéstia e o devotamento. Deus lhes deu essa faculdade para que ajudem a propagar a verdade e não para dela fazerem um tráfico; e por isto não entendo somente os que pretenderiam explorá-la como o fariam com um talento comum, que se fizessem de médiuns como se faz dançarino ou cantor, mas todos aqueles que pretendessem dela se servir em vista de interesses quaisquer. É racional crer que os bons Espíritos, e ainda menos os Espíritos superiores que condenam a cupidez, consintam em se darem em espetáculo e, como comparsas, se colocarem à disposição de um empreiteiro de manifestações espíritas? Não o é, tampouco, supor que os bons Espíritos possam favorecer objetivos de orgulho e de ambição. Deus lhes permite se comunicarem com os homens para tirá-los do lamaçal terrestre, e não para servirem de instrumento às paixões mundanas. Não podem, pois, ver com prazer os que desviam de seu verdadeiro objetivo o dom que lhes deu, e vos asseguro que serão punidos, mesmo neste mundo, pelas mais amargas decepções.

Delphine de Girardin.