O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXXI 885

cebem, ao passo que, sozinhos, estão bem mais sob o império dos Espíritos mentirosos, encantados por não terem nenhum controle. Eis aí para vós, e se não estais dominados pelo orgulho, compreendê-lo-eis e aproveitareis. Eis agora para os outros.

Tendes bem em conta do que deve ser uma reunião espírita? Não; porque, no vosso zelo, credes que o que há de melhor a fazer é reunir o maior número de pessoas, a fim de convencê-las. Desiludi-vos; quanto menos fordes, mais obtereis. É sobretudo pelo ascendente moral que exercerdes, que conduzireis a vós os incrédulos, bem mais do que pelos fenômenos que obtiverdes; se não atraís senão pelos fenômenos, virão vos ver por curiosidade, e encontrareis curiosos que não vos acreditarão e que rirão de vós; se não se encontram entre vós senão pessoas dignas de estima, talvez não crerão em vós, imediatamente, mas se vos respeitarão, e o respeito inspira sempre a confiança. Estais convencidos de que o Espiritismo deve trazer uma reforma moral; que a vossa reunião seja, pois, a primeira a dar o exemplo das virtudes cristãs, porque nestes tempos de egoísmo, é nas sociedades espíritas que a verdadeira caridade deve encontrar um refúgio (1). Tal deve ser, meus amigos, uma reunião de verdadeiros espíritas. De uma outra vez, dar-vos-ei outros conselhos.

Fénelon.

XXII

Perguntastes se a multiplicidade de grupos, em uma mesma localidade, não poderia engendrar rivalidades desagradáveis para a Doutrina. A isso responderei que aqueles que estão imbuídos dos verdadeiros princípios desta Doutrina, vêem irmãos em todos os espíritas e não rivais; aqueles que vissem outras reuniões com olhos de ciúme, provariam que há entre eles idéia preconcebida de ciúme, provariam que há entre eles idéia preconcebida de


(1) Conhecemos um senhor que foi aceito para um emprego de confiança, em uma importante casa, porque era espírita sincero, e se acreditou encontrar uma garantia de moralidade em suas crenças.