O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXXI 891

nomes que os homens não pronunciam senão com respeito, os de santos justamente venerados, de Jesus, de Maria, e mesmo de Deus.

São eles que semeiam os fermentos do antagonismo entre os grupos, que os impelem a se isolarem uns dos outros, e a se verem com prevenção. Só isso bastaria para os desmascarar, porque, assim agindo, eles mesmos dão o mais formal desmentido ao que pretendem ser. Cegos, pois, são os homens que se deixam prender numa armadilha tão grosseira.

Mas, há outros meios para reconhecê-los. Os Espíritos da ordem à qual dizem pertencer, devem ser não somente muito bons, mas, por outro lado, eminentemente lógicos e racionais. Pois bem! passai seus sistemas pelo crivo da razão e do bom-senso, e vereis o que deles restará. Convinde, pois, comigo, que todas as vezes que um Espírito indique, como remédio para os males da Humanidade, ou como meio para atingir a sua transformação, coisas utópicas e impraticáveis, medidas pueris e ridículas ou quando formule um sistema contraditado pelas mais vulgares noções da ciência, esse não pode ser senão um Espírito ignorante e mentiroso.

Por outro lado, crede bem que se a verdade não é sempre apreciada pelos indivíduos, o é pelo bom-senso das massas, e está aí ainda um critério. Se dois princípios se contradizem, tereis a medida do seu valor intrínseco procurando aquele que encontre mais eco e simpatia; seria ilógico, com efeito, admitir que uma doutrina que visse diminuir o número dos seus partidários fosse mais verdadeira do que aquela que vê os seus aumentarem. Deus, querendo que a verdade chegue a todos, não a confina em um círculo estreito e restrito: fá-la surgir em diferentes pontos, a fim de que, por toda a parte, a luz esteja ao lado das trevas.

Erasto.

Nota. – A melhor garantia de que um princípio seja a expressão da verdade está em quando ele é ensinado e revelado por