O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXXI 892

diferentes Espíritos, por médiuns estranhos uns aos outros, e em diferentes lugares, e quando, além disso, é confirmado pela razão e sancionado pela adesão de maior número. Só a verdade pode dar raízes a uma doutrina; um sistema errôneo pode recrutar alguns adeptos, mas como lhe falta a primeira condição de vitalidade, não tem senão uma existência efêmera; por isso, não há com que se inquietar: ele se mata pelos seus próprios erros, e tombará, inevitavelmente, diante da arma poderosa da lógica.

Comunicações Apócrifas

Há, a miúdo, comunicações tão absurdas, embora assinadas por nomes os mais respeitáveis, que o mais vulgar bom-senso lhes demonstra a falsidade; mas há aquelas onde o erro está dissimulado sob boas coisas que iludem e impedem, algumas vezes, de perceber ao primeiro golpe de vista, mas que não poderiam resistir a um exame sério. Delas não citaremos senão algumas como amostra.

XXIX

A criação perpétua dos mundos é para Deus como um gozo perpétuo, porque vê, sem cessar, seus raios se tornarem cada dia mais luminosos em felicidade. Não há número para Deus, não mais do que não há tempo. Eis porque as centenas e os milhares não são nem mais nem menos para ele, a um que a outro. É um pai, cuja felicidade é formada pela felicidade coletiva de seus filhos, e a cada segundo da criação vê uma nova felicidade vir se fundir na felicidade geral. Não há parada nem suspensão nesse movimento perpétuo, esta grande felicidade incessante que fecunda a terra e o céu. Do mundo, não se conhece senão uma pequena fração, e tendes irmãos que vivem sob latitudes nas quais o homem ainda não conseguiu penetrar. Que significam esses calores torrificadores e esses frios mortais que detêm os esforços dos mais ousados? Credes simplesmente que aí esteja o limite do vosso mundo, quando não podeis avançar com os vossos pequenos meios? Poderíeis, pois, medir exatamente o vosso planeta?