O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - INTRODUÇÃO 916

parte na Antigüidade e em todas as épocas da Humanidade; por toda parte, se encontram seus vestígios nos escritos, nas crenças e sobre os monumentos; é por isso que, se ele abre horizontes novos para o futuro, derrama luz não menos viva sobre os mistérios do passado.

Como complemento de cada preceito, ajuntamos algumas instruções escolhidas entre as que foram ditadas pelos Espíritos, em diversos países, e por intermédio de diferentes médiuns. Se essas instruções tivessem saído de uma fonte única, elas teriam podido sofrer uma influência pessoal ou do meio, ao passo que a diversidade de origens prova que os Espíritos dão seus ensinamentos por toda parte, e que não há ninguém privilegiado a esse respeito (1).

Esta obra é para uso de todos; cada um nela pode achar os meios de conformar sua conduta à moral do Cristo. Os espíritas nela encontrarão, por outro lado, as aplicações que lhes concernem mais especialmente. Graças às comunicações estabelecidas, de hoje em diante de um modo permanente, entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica, ensinada a todas as nações pelos próprios Espíritos, não será mais letra morta, porque cada um a compreenderá, e será incessantemente solicitado em praticá-la pelos conselhos dos seus guias espirituais. As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho.


(1) – Poderíamos, sem dúvida, dar sobre cada assunto um maior número de comunicações obtidas numa multidão de outras cidades e centros espíritas, além das que citamos; mas quisemos, antes de tudo, evitar a monotonia das repetições inúteis, e limitar nossa escolha às que, pelo fundo e pela forma, entrassem mais especialmente no quadro desta obra, reservando para as publicações ulteriores aquelas que não puderam achar lugar aqui.

Quanto aos médiuns, abstivemo-nos de nomeá-los; para a maioria, não foram designados a seu pedido e, por conseguinte, não convinha fazer exceções. Aliás, os nomes dos médiuns não teriam acrescentado nenhum valor à obra dos Espíritos; não seria, pois, senão uma satisfação do amor-próprio, à qual os médiuns verdadeiramente sérios não se prendem de modo algum, pois compreendem que seu papel, sendo puramente passivo, o valor das comunicações não realça em nada seu mérito pessoal, e que seria pueril se envaidecer de um trabalho de inteligência ao qual não se presta senão um concurso mecânico.