O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - INTRODUÇÃO 923

dade não pode estar com aquele que está só, ou quase só na sua opinião; ora, pretender ter razão sozinho contra todos, seria tão ilógico da parte de um Espírito, como da parte dos homens. Os Espíritos verdadeiramente sábios, se não se sentem suficientemente esclarecidos sobre uma questão, não a decidem jamais de um modo absoluto; eles declaram não tratá-la senão sob seu ponto de vista, e aconselham esperar sua confirmação.

Por grande, bela e justa que seja uma idéia, é impossível que ela reúna, desde o princípio, todas as opiniões. Os conflitos que dela resultam são a conseqüência inevitável do movimento que se opera; são mesmo necessários para melhor fazer ressaltar a verdade, e é útil que eles ocorram no princípio para que as idéias falsas sejam mais prontamente desgastadas. Os espíritas que nisso concebessem alguns temores devem estar, pois, tranqüilizados. Todas as pretensões isoladas cairão, pela força das coisas, diante do grande e poderoso critério do controle universal.

Não é à opinião de um homem que se deverá aliar-se, mas à voz unânime dos Espíritos; não é um homem, não mais nós que um outro, que fundará a ortodoxia espírita; não é, tampouco, um Espírito vindo se impor a quem quer que seja; é a universalidade dos Espíritos se comunicando sobre toda a Terra por ordem de Deus; aí está o caráter essencial da doutrina espírita, sua força e sua autoridade. Deus quis que sua lei fosse assentada sobre uma base inabalável, por isso não a fez repousar sobre a cabeça frágil de um único homem.

É diante desse poderoso areópago, que não conhece nem os conciliábulos, nem as rivalidades invejosas, nem as seitas, nem as nações, que virão se quebrar todas as oposições, todas as ambições, todas as pretensões à supremacia individual; que nós mesmos nos destruiríamos se quiséssemos substituir esses decretos soberanos pelas nossas próprias idéias; só ele decidirá todas as questões litigiosas, fará calar as dissidências, e dará razão, ou não, a quem de direito. Diante desse imponente acordo de todas as vozes do céu, que pode a opinião de um homem ou de um Espírito? Menos que a gota d’água que se confunde no oceano, menos que a voz da criança, abafada pela tempestade.