O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - INTRODUÇÃO 929

comum, e se entregavam à agricultura. Em oposição aos Saduceus sensuais que negavam a imortalidade, aos Fariseus rígidos para as práticas exteriores, e nos quais a virtude não era senão aparente, eles não tomavam nenhuma parte nas querelas que dividiam essas duas seitas. Seu gênero de vida se aproximava ao dos primeiros cristãos, e os princípios de moral que professavam fizeram algumas pessoas pensarem que Jesus fez parte dessa seita antes do início de sua missão pública. O que é certo, é que ele deve tê-la conhecido, mas nada prova que a ela se filiou, e tudo o que se escreveu a este respeito é hipotético (1).

TERAPEUTAS (do grego thérapeutaï de thérapeueïn, servir, cuidar; quer dizer, servidores de Deus ou curandeiros); sectários judeus contemporâneos do Cristo, estabelecidos principalmente em Alexandria, no Egito. Tinham uma grande semelhança com os Essênios, dos quais professavam os princípios; como estes últimos, eles se entregavam à prática de todas as virtudes. Sua alimentação era de uma extrema frugalidade; devotados ao celibato, à contemplação e à vida solitária, formavam uma verdadeira ordem religiosa. Fílon, filósofo judeu platônico de Alexandria, foi o primeiro que falou dos Terapeutas; considerou-os uma seita do judaísmo. Eusébio, São Jerônimo e outros Pais da lgreja pensavam que eram cristãos. Fossem judeus ou cristãos, é evidente que, da mesma forma que os Essênios, eles formam o traço de união entre o judaísmo e o Cristianismo.

IV. SÓCRATES E PLATÃO, PRECURSORES DA IDÉIA CRISTÃ E DO ESPIRITISMO

Do fato de que Jesus deve ter conhecido a seita dos Essênios, seria errado concluir que dela hauriu sua doutrina, e que, se tivesse vivido em outro meio, teria professado outros princípios. As grandes idéias não surgem nunca subitamente; as que têm por base a verdade, têm sempre seus precursores que lhes preparam parcialmente os caminhos; depois, quando os tempos são chegados, Deus envia um homem com a missão de resumir, coordenar e completar esses


(1) A morte de Jesus, supostamente escrita por um irmão essênio, é um livro completamente apócrifo, escrito com o objetivo de servir a uma opinião, e que encerra, em si mesmo, a prova da sua origem moderna.