O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - INTRODUÇÃO 931

RESUMO DA DOUTRINA DE SÓCRATES E DE PLATÃO

I – O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, ela existia unida aos tipos primordiais, às idéias do verdadeiro, do bem e do belo; deles se separa em se encarnando e, recordando seu passado, está mais ou menos atormentada pelo desejo de a eles retornar.

Não se pode enunciar mais claramente a distinção e a independência do princípio inteligente e do princípio material; por outro lado, é a doutrina da preexistência da alma, da vaga intuição que ela conserva de um outro mundo ao qual aspira, de sua sobrevivência ao corpo, de sua saída do mundo espiritual para se encarnar, e de sua reentrada no mesmo mundo depois da morte; é, enfim, o germe da doutrina dos Anjos decaídos.

II – A alma se extravia e se perturba quando se serve do corpo para considerar qualquer objeto; tem vertigens como se estivesse ébria, porque se liga a coisas que são, por sua natureza, sujeitas a mudanças; ao passo que, quando contempla sua própria essência, ela se dirige para o que é puro, eterno, imortal e, sendo da mesma natureza, fica aí ligada tanto tempo quanto o possa; então seus descaminhos cessam porque está unida ao que é imutável, e esse estado da alma é o que se chama a sabedoria.

Assim também se ilude o homem que considera as coisas de baixo, terra-a-terra, do ponto de vista material; para apreciá-las com justeza, é preciso vê-las de cima, quer dizer, do ponto de vista espiritual. O verdadeiro sábio, pois, deve, de alguma sorte, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do Espírito. É o que ensina o Espiritismo. (Cap. I I, nº 5.)

III – Enquanto tenhamos nosso corpo, e a alma se encontre mergulhada nessa corrupção, jamais possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade. Com efeito, o corpo nos suscita mil obstáculos pela necessidade que temos de cuidá-lo; ademais, ele nos enche de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, é impossível ser sábio um instante. Mas, se não é possível nada conhecer com pureza enquanto a alma está unida ao corpo, é preciso de duas coisas uma: ou que não se conheça jamais a verdade ou que se venha a conhe-