O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - INTRODUÇÃO 934

Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma; eles insistem sobre a diferença de situação que resulta para ela sua pureza maior ou menor. O que eles diziam por intuição, o Espiritismo o prova por numerosos exemplos que coloca sob nossos olhos. (O Céu e o Inferno, 2ª parte).

IX – Se a morte fosse a dissolução total do homem, seria um grande lucro para os maus, depois da sua morte, estarem livres, ao mesmo tempo, de seus corpos, de sua alma e dos seus vícios. Aquele que ornou sua alma, não de um enfeite estranho, mas do que lhe é próprio, só este poderá esperar tranqüilamente a hora da sua partida para o outro mundo.

Em outros termos, é dizer que o materialismo, que proclama o nada depois da morte, seria a anulação de toda responsabilidade moral ulterior, e, por conseqüência, um excitante ao mal; que o mal tem tudo a ganhar com o nada: que só o homem que se despojou de seus vícios e se enriqueceu de virtudes pode esperar tranqüilamente o despertar na outra vida. O Espiritismo nos mostra, pelos exemplos que coloca diariamente sob nossos olhos, quanto é penosa para o mau a passagem de uma vida para a outra e a entrada na vida futura. (O Céu e o Inferno, 2ª parte, cap. I).

X – O corpo conserva os vestígios bem marcados dos cuidados que com ele se tomou, ou dos acidentes que experimentou; ocorre o mesmo com a alma. Quando ela está despojada do corpo, carrega os traços evidentes do seu caráter, de suas afeições e as marcas que cada ato da sua vida lhe deixou. Assim, a maior infelicidade que possa atingir o homem, é a de ir para o outro mundo com uma alma carregada de crimes. Tu vês, Callicles, que nem tu, nem Pólus, nem Górgias, não saberíeis provar que se deve levar uma outra vida que nos será útil quando estivermos lá embaixo. De tantas opiniões diversas, a única que permanece inabalável, é a que vale mais receber que cometer uma injustiça e que, antes de todas as coisas, deve-se aplicar, não em parecer homem de bem, mas a sê-lo. (Diálogos de Sócrates com seus discípulos, na sua prisão).

Aqui se encontra este outro ponto capital, confirmado hoje pela experiência, de que a alma não depurada conserva as idéias, as tendências, o caráter e as paixões que tinha