O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - INTRODUÇÃO 935

sobre a Terra. Esta máxima: vale mais receber que cometer uma injustiça, não é toda cristã? É o mesmo pensamento que Jesus exprime por esta figura: "Se alguém vos bate sobre uma face, estendei-lhe ainda a outra". (Cap. XII, nº 7, 8).

XI – De duas coisas uma: ou a morte é uma destruição absoluta, ou ela é a passagem de uma alma para um outro lugar. Se tudo deve se exterminar, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonho e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Mas se a morte não é senão uma mudança de morada, a passagem para um lugar onde os mortos devem se reunir, que felicidade nele reencontrar aqueles a quem se conheceu! Meu maior prazer seria o de examinar de perto os habitantes dessa morada, e de aí distinguir, como aqui, aqueles que são sábios daqueles que crêem sê-lo e não o são. Mas é hora de nos deixarmos, eu para morrer, vós para viver. (Sócrates a seus juízes).

Segundo Sócrates, os homens que viveram sobre a Terra, se reencontram depois da morte e se reconhecem. O Espiritismo no-los mostra continuando as relações que tiveram, de tal sorte que a morte não é nem uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação, sem solução de continuidade.

Tivessem Sócrates e Platão conhecido os ensinamentos que o Cristo daria quinhentos anos mais tarde, e os que os Espíritos dão atualmente, e não haveriam de falar de outra forma. Nisso não há nada que deve surpreender, se se considera que as grandes verdades são eternas, e que os Espíritos avançados as deveram conhecer antes de virem sobre a Terra, para onde as trouxeram; que Sócrates, Platão e os grandes filósofos de seu tempo puderam estar mais tarde entre aqueles que secundaram o Cristo na sua divina missão, e que foram escolhidos precisamente porque tinham, mais que os outros, a compreensão de seus sublimes ensinamentos; que eles podem, enfim, hoje, fazer parte da plêiade de Espíritos encarregados de virem ensinar aos homens as mesmas verdades.

XlI – Não é preciso nunca retribuir injustiça por injustiça, nem fazer mal a ninguém, qualquer seja o mal que se nos tenha feito. Poucas pessoas, entretanto, admitirão este princípio, e as pessoas que estão divididas não devem senão se desprezar umas às outras.