O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - INTRODUÇÃO 936

Não está aí o princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal, e de perdoar aos inimigos?

XIII – É pelos frutos que se reconhece a árvore. É preciso qualificar cada ação segundo o que ela produz: chamá-la má quando dela provém o mal, boa quando dela nasce o bem.

Esta máxima : "É pelos frutos que se reconhece a árvore" se encontra textualmente repetida várias vezes no Evangelho.

XIV – A riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza não ama nem a si, nem o que está em si, mas a uma coisa que lhe é ainda mais estranha que aquela que está em si. (Cap. XVI).

XV – As mais belas orações e os mais belos sacrifícios agradam menos a Divindade que uma alma virtuosa que se esforça por assemelhar-se a ela. Seria uma coisa grave se os deuses tivessem mais consideração para com as nossas oferendas que pela nossa alma; por esse meio, os mais culpáveis poderiam se lhes tornarem favoráveis. Mas não, não há de verdadeiramente justo e sábio senão aqueles que, por suas palavras e pelos seus atos, desempenhem-se do que devem aos deuses e aos homens. (Cap. X, 7, 8).

XVI – Chamo homem vicioso a esse amante vulgar que ama o corpo antes que a alma. O amor está por toda parte na Natureza, que nos convida a exercitar nossa inteligência; é encontrado até nos movimentos dos astros. É o amor que orna a Natureza de seus ricos tapetes; ele se enfeita e fixa sua morada lá onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor que dá a paz aos homens, a calma ao mar, o silêncio aos ventos e o sono à dor.

O amor, que deve unir os homens por um laço fraternal, é uma conseqüência dessa teoria de Platão sobre o amor universal como lei natural. Sócrates, tendo dito que "o amor não é um deus nem um mortal, mas um grande demônio", quer dizer, um grande Espírito presidindo ao amor universal, esta afirmação lhe foi sobretudo imputada como crime.

XVII – A virtude não se pode ensinar; ela vem por um dom de Deus àqueles que a possuem.