O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO II 950

ser de outra forma, e que está lá a verdadeira justiça de Deus.

A REALEZA DE JESUS

4. O reino de Jesus não é deste mundo, é o que cada um compreende; mas sobre a Terra não terá também uma realeza? O título de rei não implica sempre no exercício de um poder temporal; ele é dado por um consentimento unânime àquele que seu gênio coloca em primeiro plano em uma ordem de idéias quaisquer, que domina seu século e influi sobre o progresso da Humanidade. É nesse sentido que se diz: o rei ou o príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores, etc. Essa realeza, nascida do mérito pessoal, consagrada pela posteridade, não tem, freqüentemente, uma preponderância maior do que aquele que leva o diadema? Ela é imperecível, enquanto que a outra é o jogo das vicissitudes; ela é sempre abençoada pelas gerações futuras, enquanto que a outra, por vezes, é amaldiçoada. A realeza terrestre acaba com a vida; a realeza moral governa ainda, e sobretudo, depois da morte. A esse título Jesus não é um rei mais poderoso que muitos potentados? Foi, pois, com razão que disse a Pilatos: Eu sou rei, mas meu reino não é deste mundo.

O PONTO DE VISTA

5. A idéia clara e precisa que se faz da vida futura dá uma fé inabalável no futuro, e essa fé tem conseqüências imensas sobre a moralização dos homens, quando muda completamente o ponto de vista sob o qual eles examinam a vida terrestre. Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual que é indefinida, a vida corporal não é mais que uma passagem, uma curta estação num país ingrato. As vicissitudes e as tribulações da vida não são mais que incidentes que recebe com paciência, porque sabe que não são senão de curta duração, e devem ser seguidos de um estado mais feliz; a morte nada mais tem de apavorante, e não é mais a porta do nada, mas a da libertação que abre, ao exilado, a entrada de uma morada de felicidade e de paz. Sabendo que está em um lugar temporário, e não definitivo, recebe as inquietações da vida com mais indiferença, e disso resulta, para ele, uma calma de espírito que lhe atenua a amargura.