O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO IV 967

8. Para compreender o sentido verdadeiro dessas palavras, é preciso igualmente se reportar à significação da palavra água que não era empregada na sua acepção própria.

Os conhecimentos dos antigos, sobre as ciências físicas, eram muito imperfeitos, pois acreditavam que a Terra tinha saído das águas e, por isso, consideravam a água como o elemento gerador absoluto; é assim que na Gênese está dito: "o Espírito de Deus era levado sobre as águas; flutuava na superfície das águas; que o firmamento seja feito no meio das águas; que as águas que estão abaixo do céu se reúnam em um só lugar, e que o elemento árido apareça; que as águas produzam os animais vivos que nadem na água e os pássaros que voem sobre a terra e sob o firmamento."

Segundo essa crença, a água tornara-se o símbolo da natureza material, como o Espírito era o da natureza inteligente. Estas palavras: "Se o homem não renasce da água e do Espírito, ou em água e em Espírito", significam, pois: "Se o homem não renasce com seu corpo e sua alma." Neste sentido é que foram compreendidas no princípio.

Essa interpretação, aliás, está justificada por estas outras palavras: o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito. Jesus faz aqui uma distinção positiva entre o Espírito e o corpo. O que é nascido da carne é carne, indica claramente que o corpo procede do corpo, e que o Espírito é independente do corpo.

9. O Espírito sopra onde quer; ouvis sua voz, mas não sabeis nem de onde ele vem, nem para onde ele vai, pode se entender como o Espírito de Deus, que dá a vida a quem ele quer, ou a alma do homem; nesta última acepção, "vós não sabeis de onde ele vem, nem para onde ele vai" significa que não se conhece o que ele foi, nem o que o Espírito será. Se o Espírito, ou alma, fosse criado ao mesmo tempo que o corpo, saber-se-ia de onde veio, uma vez que se conheceria seu começo. Como quer que seja, essa passagem é a consagração do princípio da preexistência da alma e, por conseguinte, da pluralidade das existências.

10. Ora, desde o tempo de João Batista, até o presente, o reino dos Céus é tomado pela violência, e são os violentos que o obtêm; porque, até João, todos os Profetas assim também como a lei, profetizaram; e se quereis compreender o que vos disse, é ele mesmo o Elias que deve vir.