O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO IV 968

Ouça aquele que tem ouvidos para ouvir. (São Mateus, cap. XI, v. de 12 a 15).

11. Se o princípio da reencarnação, expresso em São João, podia, a rigor, ser interpretado num sentido puramente místico, não podia suceder o mesmo nesta passagem de São Mateus, que é inequívoca: é ELE MESMO o Elias que deve vir; não há, aí, nem figura, nem alegoria: é uma afirmação positiva. "Desde o tempo de João Batista até o presente, o reino dos céus é tomado pela violência." Que significam essas palavras, uma vez que João Batista vivia ainda naquele momento? Jesus as explica, dizendo: "Se quereis compreender o que vos disse, é ele mesmo o Elias que deve vir". Ora, João não sendo outro senão Elias, Jesus faz alusão ao tempo em que João vivia sob o nome de Elias. "Até o presente, o reino dos céus é tomado pela violência", é uma outra alusão à violência da lei mosaica que ordenava o extermínio dos infiéis para ganhar a Terra Prometida, Paraíso dos Hebreus, enquanto que, segundo a nova lei, o céu se ganha pela caridade e pela doçura.

Depois ele ajunta: Ouça quem tem ouvidos para ouvir. Estas palavras, tão freqüentemente repetidas por Jesus, dizem claramente que todo o mundo não estava em condições de compreender certas verdades.

12. Aqueles do vosso povo que se tenham feito morrer, viverão de novo; aqueles que estavam mortos ao redor de mim, ressuscitarão. Despertai do vosso sono e cantai os louvores de Deus, vós que habitais na poeira; porque o orvalho que cai sobre vós é um orvalho de luz, e porque arruinareis a terra e o reino dos gigantes. (Isaías, cap. XXVI, v. 19).

13. Esta passagem de Isaías também é bem explícita: "Aqueles do vosso povo que se tenham feito morrer viverão de novo". Se o profeta pretendesse falar da vida espiritual, se quisesse dizer que aqueles que se tenham feito morrer não estavam mortos em Espírito, ele teria dito: vivem ainda e não viverão de novo. No sentido espiritual, essas palavras seriam um contra-senso uma vez que implicariam uma interrupção na vida da alma. No sentido de regeneração moral, elas seriam a negação das penas eternas, uma vez que estabelecem, em princípio, que todos aqueles que estão mortos, reviverão.