O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO IV 969

14. Mas quando o homem está morto uma vez, que seu corpo, separado do seu espírito, está consumido, em que se torna ele? O homem estando morto uma vez, poderia reviver de novo? Nessa guerra, em que me encontro todos os dias

da minha vida, espero que minha transformação chegue. (Job, cap. XIV, v. 10, 14. Tradução de Le Maistre de Sacy).

Quando o homem morre, perde toda a sua força e expira; depois, onde está ele? Se o homem morre, reviverá? Esperarei todos os dias do meu combate, até aquele em que me chegue alguma transformação? (Idem. Tradução protestante de Osterwald).

Quando o homem está morto, ele vive sempre; terminando os dias de minha existência terrestre, esperarei, porque a ela voltarei de novo. (Idem. Versão da Igreja grega).

15. O princípio da pluralidade das existências está claramente expresso nessas três versões. Não se pode supor que Job tenha querido falar da regeneração pela água do batismo que, certamente, ele não conhecia. "O homem estando morto uma vez poderia reviver de novo? A idéia de morrer uma vez e reviver, implica na de morrer e de reviver várias vezes. A versão da Igreja grega é ainda mais explícita, se isso é possível. "Terminando os dias de minha existência terrestre, esperarei, porque a ela retornarei", quer dizer, eu tornarei à existência terrestre. Isso é tão claro como se alguém dissesse: "Eu saio da minha casa, mas a ela retornarei."

"Nessa guerra em que me encontro todos os dias da minha vida, espero que minha transformação chegue." Job, evidentemente, quer falar da luta que sustenta contra as misérias da vida; ele espera sua transformação, quer dizer, se resigna. Na versão grega, eu esperarei, parece antes se aplicar à nova existência: "Quando minha existência terrestre se findar, eu esperarei porque a ela retornarei"; Job parece se colocar, depois da sua morte, no intervalo que separa uma existência da outra, e diz que ali ele esperará seu retorno.

16. Não é, pois, duvidoso que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação era uma das crenças fundamentais dos Judeus; que ele foi confirmado por Jesus e pelos profetas de maneira formal; de onde se segue que negar