O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO IV 970

a reencarnação, é negar as palavras do Cristo. Essas palavras constituirão, um dia, autoridade sobre esse ponto, como sobre muitos outros, quando forem meditadas sem preconceitos.

17. Mas a essa autoridade, do ponto de vista religioso, vem se acrescentar, do ponto de vista filosófico, a das provas que resultam da observação dos fatos; quando se quer remontar dos efeitos à causa, a reencarnação aparece como uma necessidade absoluta, como uma condição inerente à Humanidade, numa palavra, como uma lei natural; ela se revela por seus resultados, de um modo, pode-se dizer, material, como o motor escondido se revela pelo movimento; só ela pode dizer ao homem de onde ele vem, para onde vai, porque está sobre a Terra, e justificar todas as anomalias e todas as injustiças aparentes que a vida apresenta. (1)

Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, a maior parte das máximas do Evangelho são ininteligíveis, por isso, deram lugar a interpretações tão contraditórias; este princípio é a chave que lhe deve restituir seu verdadeiro sentido.

OS LAÇOS DE FAMÍLIA FORTALECIDOS PELA REENCARNAÇÃO E QUEBRADOS PELA UNICIDADE DA EXISTÊNCIA

 

18. Os laços de família não são destruídos pela reencarnação, como pensam certas pessoas; ao contrário, eles são fortalecidos e se estreitam; é o princípio oposto que os destrói.

Os Espíritos formam, no espaço, grupos ou famílias unidos pela afeição, pela simpatia e semelhança de inclinações; esses Espíritos, felizes por estarem juntos, se procuram; a encarnação não os separa senão momentaneamente, porque, depois da sua reentrada na erraticidade, se reencontram, como amigos ao retorno de uma viagem. Freqüentemente mesmo, eles se seguem na encarnação, onde se reúnem numa mesma família, ou num mesmo círculo, trabalhando em conjunto para seu mútuo adiantamento. Se uns estão encarnados e outros não o es-


(1) Ver, para o estudo do dogma da reencarnação, O Livro dos Espíritos, cap. IV e V; O que é o Espiritismo?, cap. II, por Allan Kardec; a Pluralidade das existências, por Pezzani.