O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO V 986

um dia? Mas para aquele que não crê na eternidade, que crê que tudo nele se acaba com a vida, se está oprimido pelo desgosto e pelo infortúnio, não vê seu termo senão na morte; não esperando nada, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar suas misérias pelo suicídio.

16. A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as idéias materialistas, numa palavra, são os maiores excitantes ao suicídio: elas dão a covardia moral . Quando se vêem homens de ciência se apoiarem sobre a autoridade do seu saber para procurarem provar aos seus ouvintes, ou aos seus leitores, que eles nada têm a esperar depois da morte, não os conduzem a essa conseqüência de que, se são infelizes, nada têm melhor a fazer do que se matar? Que lhes poderiam dizer para disso desviá-los? Que compensação poderiam lhes oferecer? Que esperança poderiam lhes dar? Nenhuma coisa senão o nada. De onde é preciso concluir que se o nada é o único remédio heróico, a única perspectiva, mais vale nele cair imediatamente que mais tarde e, assim, sofrer por menos tempo.

A propagação das idéias materialistas é, pois, o veneno que inocula em um grande número de pessoas o pensamento do suicídio, e aqueles que se fazem seus apóstolos assumem sobre si uma terrível responsabilidade. Com o Espiritismo, não sendo mais permitida a dúvida, o aspecto da vida muda; o crente sabe que a vida se prolonga indefinidamente além do túmulo, mas em outras condições; daí a paciência e a resignação que o afastam naturalmente do pensamento do suicídio; daí, numa palavra, a coragem moral.

17. O Espiritismo tem, ainda, sob esse aspecto, um outro resultado também positivo, e talvez mais determinante. Ele nos mostra os próprios suicidas vindo revelar sua posição infeliz, e provar que ninguém viola impunemente a lei de Deus que proíbe ao homem abreviar sua vida. Há entre os suicidas aqueles cujo sofrimento, por não ser senão temporário ao invés de eterno, não são menos terríveis, e de natureza a dar o que pensar a qualquer que fosse tentado a partir daqui antes da ordem de Deus. O espírita tem, pois, para contrabalançar a idéia do suicídio, vários motivos: a certeza de uma vida futura, na qual ele sabe que será tanto mais feliz quanto tenha sido mais infeliz e mais resignado na Terra; a certeza de que abreviando sua vida, alcança um resultado justamente contrário ao que esperava;