O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO V 987

que se livra de um mal para chegar a um pior, mais longo e mais terrível; que se engana se crê, em se matando, ir mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo para que ele se reúna, no outro mundo, aos objetos das suas afeições que esperava ali reencontrar; de onde a conseqüência de que o suicídio, não lhe dando senão decepções, está contra os seus próprios interesses. Igualmente o número dos suicídios impedidos pelo Espiritismo é considerável, e pode-se disso concluir que, quando todo mundo for espírita, não haverá mais suicídios conscientes. Comparando-se, pois, os resultados das doutrinas materialista e espírita, sob o único ponto de vista do suicídio, vemos que a lógica de uma a ele conduz, enquanto que a lógica da outra dele desvia, o que está confirmado pela experiência.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

BEM E MAL SOFRER

18. Quando o Cristo disse: "Bem-aventurados os aflitos, que deles é o reino dos céus", não se referia àqueles que sofrem em geral, porque todos aqueles que estão neste mundo sofrem, estejam sobre o trono ou sobre a palha; mas, ah! poucos sofrem bem; poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus. O desencorajamento é uma falta; Deus vos recusa consolações porque vos falta coragem. A prece é um sustentáculo para a alma, porém, ela não basta: é preciso que esteja apoiada sobre uma fé viva na bondade de Deus. Freqüentemente, ele vos disse que não colocava fardos pesados em ombros fracos; o fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem; maior será a recompensa quanto a aflição não seja penosa; mas essa recompensa é preciso merecê-la, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.

O militar que não é enviado ao campo de batalha não fica contente, porque o repouso da retaguarda no acampamento não lhe proporciona promoção; sede, pois, como o militar e não desejeis um repouso em que o vosso corpo se enfraqueceria e a vossa alma se entorpeceria. Ficai satisfeitos quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo da batalha, mas as amarguras da vida, onde é preciso, algumas vezes, mais coragem do que num combate sangrento, porque aquele que ficaria firme diante do inimigo, se dobra-